Projeto “Contando Minha História” promove vínculos e registra memórias no Lar Ebenezer
Projeto realizado no Lar Ebenezer reúne madrinhas voluntárias em atividades, visitas e registros que ajudam a preservar as memórias de crianças e adolescentes acolhidos

Uma fotografia, uma página de álbum e um momento compartilhado podem se transformar em lembranças que permanecem por muitos anos. É a partir dessa proposta que funciona o projeto Contando Minha História, desenvolvido no Lar Ebenezer, em Dourados. Coordenada por Lisete Both Philippi, a iniciativa reúne madrinhas voluntárias que acompanham crianças e adolescentes acolhidos, participam de atividades e ajudam a construir, junto com cada afilhado, um álbum com registros da trajetória vivida durante o período de acolhimento.

Lisete conheceu o projeto há cerca de 12 anos, quando foi convidada a participar da primeira edição do Contando Minha História, realizada no Lar Santa Rita, em Dourados. A proposta despertou o interesse da voluntária justamente pela possibilidade de contribuir para que a rotina das crianças acolhidas tivesse momentos de leveza e afeto.
Ao longo dos anos, Lisete passou a acompanhar diferentes crianças e adolescentes. Atualmente, é madrinha de duas meninas, de 15 e 7 anos, além de coordenar o projeto no Lar Ebenezer. Para ela, o vínculo construído ao longo das visitas transforma a experiência também para quem se dispõe a participar. “Quanto mais tempo andamos juntas, mais vínculo temos. A cada visita percebo o quanto me faz bem estar com elas, meninas com sonhos e brilho nos olhos”, destaca Lisete.
Hoje, o projeto conta com um grupo de 14 madrinhas, que se organizam para realizar as atividades e acompanhar as crianças. Cada madrinha é responsável pela construção do álbum de uma criança ou adolescente, registrando momentos vividos juntos e transformando essas experiências em páginas que contam parte daquela história.

Uma vez por mês, geralmente em um fim de semana, as madrinhas organizam uma atividade fora do Lar. Pode ser um passeio em uma chácara, um momento na piscina ou outra atividade de lazer. O encontro também inclui momentos de convivência, como café e piquenique compartilhado. Durante essas atividades, são feitas fotografias das crianças e adolescentes. As imagens são posteriormente reveladas e utilizadas na construção dos álbuns.
Ao longo do mês, as madrinhas retornam ao Lar para visitar os afilhados e, junto com eles, montar uma nova página. Assim, o álbum não é apenas um registro fotográfico: ele é construído a partir das experiências compartilhadas entre a criança e a madrinha.
A participação, entretanto, não se limita à relação individual entre madrinha e afilhado. O projeto também é sustentado pela colaboração entre as próprias voluntárias. Como as atividades são realizadas aos fins de semana e todas as participantes são voluntárias, nem sempre é possível contar com a presença de todas nas mesmas datas. Viagens, compromissos pessoais e outras situações podem impedir a participação de alguma madrinha.

O grupo trabalha de forma colaborativa. Quando uma não consegue participar, outra ajuda na atividade. Essa dinâmica é apontada por Lisete como uma das características que mais fortalecem o projeto. “Todas as madrinhas são comprometidas, se preocupam, buscam, correm atrás, e uma vai apoiando a outra. Quando uma não pode, outra ajuda”, ressalta.
VÍNCULOS QUE PERMANECEM
Ao longo de sua trajetória como madrinha, Lisete já acompanhou muitas crianças. Algumas cresceram, seguiram outros caminhos e hoje estão na faculdade ou constituíram suas próprias famílias. O contato com essas pessoas depois da saída da instituição é uma das experiências que mais marcaram sua trajetória no projeto. Ela conta que ainda sente orgulho ao reencontrar antigos afilhados e acompanha, mesmo à distância, os caminhos que seguiram.
“Já fui madrinha de muitas crianças, algumas já casadas, outras na faculdade. É imensurável descrever o orgulho que sinto sempre que encontro alguma delas. Fico na expectativa, na torcida para vencerem na vida”, conta emocionada.

Entre tantas histórias, uma situação em especial permanece na memória da voluntária. Um dos acolhidos que acompanhou por mais de dez anos no Lar a convidou para participar como madrinha de seu casamento religioso, anos depois de deixar a instituição. “O que mais me marcou nesta caminhada foi ser convidada por um acolhido que passou mais de 10 anos no Lar, como madrinha no casamento religioso, anos após a saída da instituição. Certamente eles não se esquecem de quem os apoiou. Foi um momento muito especial.”
Participar do projeto também provocou uma reflexão sobre a própria capacidade de contribuir com a vida de outra pessoa. A experiência, segundo ela, mostrou que a relação construída não acontece em uma única direção. “Esse projeto me fez refletir sobre o potencial que temos em ajudar um necessitado. Muitas vezes eu recebi mais do que eu doei, cada abraço apertado fica guardado. É uma troca”, relata.
É justamente essa troca que, para a voluntária, dá sentido à experiência de ser madrinha. O projeto oferece às crianças e adolescentes oportunidades de convivência, passeios, brincadeiras e registros de momentos importantes, enquanto também proporciona às madrinhas a possibilidade de construir relações que podem permanecer por muitos anos.
Ao falar sobre quem poderia participar, Lisete resume a experiência a partir dos sentimentos que considera essenciais para esse tipo de trabalho:“Eu indico o projeto para todas as pessoas que buscam afeto, solidariedade e compaixão. Aqui descobrimos o quanto é bom ser altruísta.”
PARTICIPAR DO PROJETO
Quem tiver interesse em conhecer o Contando Minha História e saber como participar como madrinha pode entrar em contato diretamente com Lisete Both Philippi:
(67) 99682-1003
No Lar Ebenezer, o projeto é desenvolvido com a participação de voluntárias que dedicam tempo para estar com as crianças e adolescentes, registrar experiências e, página após página, ajudar a construir memórias que podem acompanhar cada história para além do período de acolhimento.
Fotos: Lisete Both Philippi Por: Elisa Lorini DRT 2228/MS
Assessoria de Imprensa Lar Ebenezer



